[The Blair Witch Project, EUA, 1999]
Terror
80 min
Três estudantes de cinema resolvem fazer um documentário sobre a lenda da bruxa de Blair. Depois de um prólogo num cemitério, eles vão a Burkittsville entrevistar algumas pessoas. A diretora Heather Donahue entrevista Mary Brown, uma velha louca que diz ter visto a tal bruxa (uma mulher chamada Elly Kedward, acusada de bruxaria e banida do vilarejo de Blair) perto de Tappy East.
No dia seguinte, Heather e seus companheiros, Josh Leonard e Mike Williams, entrevistam dois pescadores que lhes dizem que o Rochedo do Caixão fica a menos de vinte minutos da cidade. Os três entram na floresta e nunca mais são vistos. Um ano depois, em 18 de outubro de 1995, o material dos jovens é encontrado enterrado debaixo de uma cabana centenária no meio da floresta. As famílias dos jovens contratam uma produtora de cinema, a pequena Artisan, para montar esse material, na tentativa de descobrirem o que realmente aconteceu.
Acompanhamos passo a passo os oito dias de filmagem do trio. Tudo começa bem, com muita descontração e entusiasmo. Mas logo se perdem, e a amizade dá lugar à agressividade e ao desespero quando percebem que alguma coisa os está seguindo. À noite escutam estranhos barulhos, crianças chorando, pessoas correndo em volta; pela manhã se deparam com pedras empilhadas e objetos de vudu em volta do acampamento. Em um clima de tensão e pânico contínuos, somos levados aos aterrorizantes vinte minutos finais da filmagem, em que nossos olhos gritam percorrendo cada centímetro da tela, à procura de algo que não queremos ver.
Feito com um equipamento de segunda e atores amadores, “A Bruxa de Blair” realmente consegue nos deixar tensos e desconfortados. Um dos pontos altos do filme é a autenticidade das emoções transmitidas pelos jovens, uma vez que realmente passaram por tudo isso, sem saber o que estava por trás das assombrações noturnas. Para quem está acostumado com as violentas mortes de “Pânico” ou com terríveis monstros digitais vai se decepcionar com “Blair”. Aqui, não há bruxa alguma e as sequências eletrizantes são turvas – apenas escutamos ruídos esquisitos e vemos o que o trio vê, ou seja, nada.
O terror que impera aqui é puramente psicológico. Cabe a nós imaginar o que pode está além da escuridão, além das árvores. E é isso que move o espectador até o final da fita: algo que não está lá. Em meio aos lixos americanos do gênero, “A Bruxa de Blair” consegue ser genuinamente apavorante e original. É a prova de que um pouco de genialidade e esperteza são elementos explosivos. Elementos esses pertencentes aos dois diretores, Daniel Myrick e Eduardo Sánchez, os verdadeiros responsáveis por todo medo experimentado pelo trio e pelo público.
Outubro 1999

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