[Fight Club, EUA, 1999]
Aventura
139 min
David Fincher merece aplausos. Depois de uma estreia regular, esse ex-diretor de videoclipes soube se impor no mercado cinematográfico com filmes que dão muito o que falar. Fincher gosta de mexer com nossa cabeça a cada trabalho (ou experiência). Primeiro o final perturbador e totalmente consciente de “Seven”, depois a brincadeira perigosa de “Vidas em Jogo”, que levou Michael Douglas à loucura, e agora ele nos concebe “Clube da Luta”, uma experiência polêmica e bastante original.
Edward Norton (um dos melhores atores surgidos nesta década) é o narrador dessa trama que mistura “caos, subversão e sabonete”. No filme, ele é um funcionário de uma grande empresa de seguros de automóveis que se vê completamente estressado e com insônia. Depois de tentar tudo quanto é remédio, ele encontra o que faltava indo a reuniões de pessoas com problemas crônicos: câncer nos testículos, tuberculosos à beira da morte, doenças incuráveis. Só assim redescobre o sentimento, sente-se vivo e volta a dormir como um neném. Sua alegria é interrompida com a chegada de Marla Singer (Helena Bonhan Carter), uma viciada em droga com ideia fixa em morte: ela também é um farsante, o que deixa nosso narrador um pouco desconfortável.
É quando ele conhece Tyler Durden (Brad Pitt), uma figura estranha que vende sabonetes. Nesse mesmo dia, sua vida dá uma louca reviravolta: seu apartamento, que montava há anos, pega fogo e tudo se perde. Sem maiores explicações, ele passa a morar com Tyler numa mansão isolada e caindo aos pedaços. Para sair um pouco da rotina e deixar de lado as tensões do dia a dia, os dois começam a brigar no meio da rua. Curiosamente, a briga se torna uma espécie de ritual que a cada semana atrai mais e mais adeptos, e logo, no porão de um bar, é batizado o clube da luta.
Aos poucos, a coisa vai crescendo e se expandindo para os quatro cantos do país. Tyler se revela um perigoso psicopata e promove vários atos de vandalismo pela cidade; um exército começa a ser formado para dar vida ao “projeto caos”, cujo objetivo só é esclarecido no clímax de “Clube da Luta”, quando uma inesperada e surpreendente revelação muda toda a concepção do filme.
Com uma narrativa bastante surreal, o diretor promove tira-teimas de cada detalhe que possa parecer insignificante e consegue nos enganar direitinho mostrando somente o ponto de vista de Jack, o narrador. Violento e ousado, com diálogos corrosivos e carregados de humor, o filme pode incomodar muita gente pela sua ideia da queda da atual estrutura social e a proposta de um renascimento em cima dos escombros da sociedade capitalista. Ao fim do filme, a sensação é de ter acabado de sair de um longo delírio de um esquizofrênico perdido no meio de uma geração sem papel algum na História.
Teresina, 10 de novembro de 1999
Alternativo – jornal Meio Norte

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