[Take the Money and Run, EUA, 1969]
Comédia
85 min
Woody Allen debuta na direção com esse "mockumentary" sobre um criminoso sem um pingo de talento. Mesmo sua filmografia começando com “O que Há, Tigresa?”, esse filme de 1967 na verdade é uma redublagem feita por Allen em cima da comédia de espionagem japonesa “Kokusai Himitsu Keisatsu: Kagi no Kagi” [“International Secret Police: Key of Keys”, na versão estadunidense], de 1965. Então, sua primeira investida como diretor, roteirista e ator ao mesmo tempo se deu nessa colagem de momentos da vida de Virgil Starkwell, que tenta ganhar a vida como ladrão de bancos. Mas todos os crimes falham em algum ponto e ele sempre vai preso. Mesmo depois de conhecer a mulher da sua vida, Virgil não se cansa de tentar provar que nasceu para ser bandido. Com direito a um narrador onisciente, Allen reconstrói a vida de seu trágico [e cômico] anti-herói, lançando mão de “entrevistas” com as pessoas próximas a ele, até mesmo o próprio. Aqui temos o primeiro filme a divulgar em larga escala o estilo “mockumentary”, ou falso documentário, e sua estrutura stand up [berço do comediante] o fez não ser uma obra muito bem recebida pelos críticos. De fato, a narrativa é episódica, sem um plot definido, em que Allen vai jogando as mais inusitadas gags, transparecendo seu ímpeto de cineasta estreante. As mais famosas são a do revólver de sabão que se desfaz na chuva, a do assalto que dá errado por um erro de caligrafia [ótima] e a do assalto duplo, no qual duas equipes coincidentemente terminam assaltando o mesmo banco. A icônica persona de Woody Allen, cheia de maneirismos nervosos, também tomou forma nessa inusitadíssima comédia de situações. Longe de ser um grande filme, é o pontapé inicial da carreira de um dos gênios do cinema contemporâneo.
1 de abril de 2012

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