terça-feira

CARNAGE * * * ½

[Idem, FRA/ALE/POL/ESP, 2011]
Drama
79 min

Roman Polanski adapta com segurança a peça "O Deus da Carnificina", de Yasmina Reza, sobre até onde vão os limites da civilidade. A trama se desenvolve diante da conversa entre dois casais, cujos filhos se envolveram numa briga. O que parecia ser um assunto já resolvido cede lugar a uma lavagem de roupa suja e defesa de ideias acerca do comportamento de bando, uma vez o motivo do desentendimento dos garotos ter sido a rejeição de um deles na gangue do outro. Logo, os adultos se tornam verbalmente agressivos, ao melhor estilo de “Quem Tem Medo de Virginia Woolf?”, 1966, por sua vez também extraído de uma peça escrita por Edward Albee. Polanski reúne um ótimo elenco, Jodie Foster, John C. Reilly, Kate Winslet e Christoph Waltz, dentro de uma narrativa rigorosamente teatral. Tudo se passa num apartamento e a priori o tempo fílmico equivale ao tempo real, ou seja, nada de cortes elípticos demais, como no palco. Sem esconder a origem do projeto, Polanski pode se concentrar naquilo o que há de mais forte na história, os diálogos de Reza, que coassina o roteiro junto com o diretor. Não deixa de ser uma tensa comédia dramática de humor negro, com direito a vômitos, xingamentos e boas doses de uísque. O quarteto está equilibrado, e é interessante perceber como não existe, ao menos aparentemente, crises de ego aqui. Ninguém puxa o tapete do outro, não saem do foco principal, comprovando a extrema habilidade de Polanski como diretor. Mesmo geograficamente restrito, ele usa a janela 2.35:1, optando por enquadrar com frequência dois personagens ao mesmo tempo e valorizar o [pouco] espaço. Mas do meio para o fim as duplas se dividem e não se sabe mais quem está do lado de quem. As boas maneiras se dissipam como naftalina no ar, restante apenas uma descordialidade sob controle entre seres que necessariamente são obrigados a viver em sociedade. 

1 de abril de 2012

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