domingo

O SEXTO SENTIDO * * * * *


[The Sixth Sense, EUA, 1999]
Suspense
106 min

Fique certo de uma coisa: você não vai esquecer esse filme tão cedo.

Malcolm Crowe é um renomado psicólogo infantil que, na mesma noite em que é homenageado pelas autoridades de Filadélfia, recebe a inesperada visita de um ex-paciente, Vincent Gray, seminu e à beira do desespero. “Não quero mais sentir medo”, ele diz, um minuto antes de meter um tiro na própria cabeça.

Nem um pouco recuperado do incidente, ele conhece Cole, um menino de oito anos aparentemente normal. O fato é que Cole é uma criança retraída e insociável, ou seja, com os mesmos sintomas de Vincent. Crowe resolve ajudar o menino, acreditando ser essa a sua última chance de redenção, ao mesmo tempo em que seu casamento vai de mal a pior.

“Eu vejo pessoas mortas”, revela Cole ao psicólogo depois de certo período de entrevistas, e é a partir de então que somos arremessados ao filme mais assustador dos últimos tempos. Num clima de tensão sem fim, vemos e sentimos o sofrimento do garoto, numa trama tão bem amarrada e original que passamos duas horas sem piscar os olhos. É brilhante o modo como o estreante Shyamalan conduz sua obra, centrada na relação entre Cole e Crowe e mostrando os fantasmas a partir da visão do garoto. O diretor conseguiu o incrível feito de contar tudo isso com consistência e sem voar muito.

O resultado é filmaço impressionante, que ainda se dar ao luxo de garantir sustos genuínos. Bruce Willis, como o psicólogo, está na melhor atuação de toda a sua carreira, e o garoto Haley Joel Osment (“Bogus – Meu Amigo Secreto”) é um dos melhores atores-mirim já vistos na tela. “O Sexto Sentido” não cai na estupidez de se transformar em um thriller e nos leva a um final surpreendente. O clímax é tão chocante que nos faz repassar todas as cenas mentalmente para confirmarmos as respostas que sempre estiveram na nossa cara.

É um filme de detalhes perfeitamente encaixados que não deixa escapar nada; consegue driblar até mesmo um alucinado fã do suspense. O único problema de “O Sexto Sentido” é ser apenas um (ótimo) exercício de percepção e medo. Não tem problema, junte um bom dinheiro e torne-se amigo do cobrador do cinema. É o jeito. 

Outubro 1999

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