domingo

A FELICIDADE NÃO SE COMPRA * * * * *

It’s a Wonderful Life, EUA, 1946.
Drama
129 min

Na véspera de Natal, homem que abdicou dos seus sonhos de explorar o mundo em favor dos outros, vê-se numa difícil situação e chega a pensar em cometer suicídio, apesar de ter uma esposa maravilhosa e filhos adoráveis. Nesse momento, recebe a ajuda de um atrapalhado anjo que deseja ganhar asas. Fica muito difícil acreditar que este edificante conto de Natal tenha sido um fracasso de bilheteria ao estrear nos cinemas. É uma das histórias mais lindas e significativas já contadas, com um sentimentalismo sincero e tocante, capaz de nos fazer encher os olhos de lágrimas com a maior facilidade do mundo. O que consta na sinopse acima só vem a ocorrer na metade do filme, após acompanharmos de perto toda a trajetória do protagonista George Bailey, o que torna seus sentimentos e motivos menos superficiais e distantes do que seriam caso a história começasse já na intenção de suicídio. Essa sacada brilhante deixa ainda mais genial a amostra que o anjo, interpretado pelo simpático Henry Travers, dá a George de como seria a cidadezinha em que vive se ele nunca tivesse nascido. A direção de Frank Capra, indubitavelmente um dos melhores cineastas da história do cinema, é absolutamente magnífica, cheia de criatividade e sensibilidade nas medidas certas. Ele cria com maestria um clima acolhedor, situações e personagens apaixonantes, e ainda por cima não perde nunca o fio da meada. O elenco não tem comparações. James Stewart está em um de seus melhores momentos, vigoroso e coerente, e Donna Reed simplesmente encanta mais ainda a tela. A Felicidade Não se Compra é mais do que uma encantadora fábula espirituosa, é uma lição de vida inteiramente imperdível, totalmente insuperável (imitações existem aos baldes) e que parece mais válida, e menos velha, com o passar dos anos. Cheia de misticismo e com uma melancolia disfarçada, é uma obra clássica, irretocável, que fala sobre fazermos concessões em prol de uma felicidade geral. Trata também de valorizarmos o que temos e aceitar o que não temos. Um sonho pode muito bem ser substituído por outro e os pequenos detalhes da vida são os que mais nos fazem falta depois. A humanidade e a compaixão, juntamente com o amor, são os maiores bens que um ser humano pode ter. Esse é um filme obrigatório para aqueles que acham que não estão vivendo o que gostariam de viver. Frank Capra fez uma obra que me encanta profundamente. Inquestionavelmente feita para ser de cabeceira.

27 de outubro de 2002 

Nenhum comentário: