domingo

APOCALYPSE NOW REDUX * * * * *

Idem, EUA, 1979/2001
Drama/Guerra
202 min

Em plena Guerra do Vietnã, capitão do exército norte-americano recebe a missão de adentrar o Camboja e matar um renomado coronel, também norte-americano, que aparentemente enlouqueceu na floresta e se transformou em uma espécie de deus para um grupo de nativos. Assisti a Apocalypse Now em meados de 1996 e na época não gostei muito do filme. Achei-o confuso, chato e sem atrativo nenhum. Assisti a Apocalypse Now cedo demais. Numa conferida posterior à obra de Coppola, já mais maduro, aceitei meu equívoco e aumentei a cotação que havia dado a ela. Mesmo assim, ainda havia restrições. Não era uma fita perfeita, somente o melhor trabalho sobre a Guerra do Vietnã já feito, expondo todo o seu horror físico e mental e toda sua falta de consistência; algo sempre faltava. Agora, assistindo ao filme em DVD, reeditado e ampliado em uma hora, não há como não cultuar o resultado obtido, uma verdadeira obra-prima do cinema, muito menos não dar cotação máxima. Não tenha dúvida: Redux veio sepultar de vez a versão anterior. A odisseia do cap. Willard (talvez a melhor atuação de Martin Sheen) dentro de uma guerra claramente estúpida e sem sentido ficou ainda mais fascinante, apocalíptica mesmo. O fato é que com mais tempo entramos melhor na história, com isso compreendemos melhor o que acontece, como a gradativa fascinação de Willard pelo coronel Kurtz e o significado deste para todo o contexto da obra. Redux é muito mais intenso e vivenciável que a antiga versão e, o que certamente é fantástico, tornou-se uma sessão menos monótona e mais interessante, apesar da precariedade das cópias em VHS ser a responsável quase que direta por essa aparente monotonia. A premiada fotografia de Vittorio Storaro está muito mais deslumbrante, até mesmo nas cenas mais escuras do final, assim como Coppola faz uma direção digna de Oscar, magnífica, recheada de sequências antológicas, como o ataque de helicópteros ao som de “Cavalgada das Valquírias”. São cerca de quatorze cenas ou sequências adicionadas, todas originais que ficaram de fora na época. Com isso, o filme ganhou outras conotações, ficou mais lindo e poético. Ganhou mulheres também, como a parte em que o grupo que conduz Willard a seu destino transa com as coelhinhas da Playboy, presas em um acampamento por falta de gasolina. A sequência da plantação francesa veio somar com as ideologias que permeiam a história, sendo quase delicada, um oásis no meio de tanto horror. Marlon Brando aparece em uma cena inédita, que nos permite, em conjunto com as outras, ter uma visão mais completa da personalidade de seu personagem. Todo mundo sabe do verdadeiro inferno que foi rodar Apocalypse Now (o enfarte de Martin Sheen, a loucura do diretor, etc.) e esse filme veio fazer jus a tudo isso. Coppola deveria ter feito mais filmes, porém com os dois primeiros Chefões e Redux, sem querer desmerecer outros trabalhos brilhantes, como A Conversação, ele pode ser considerado um dos maiores cineastas de todos os tempos. O DVD ainda traz a sequência da destruição da aldeia de Kurtz com comentários do diretor, que afirma nunca ter pensado em um final alternativo, o original já é sombrio e simbólico o suficiente.

27 de outubro de 2002

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